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O Papel da Educação na Construção de Líderes Empáticos

  • Foto do escritor: Eduardo Rui Alves
    Eduardo Rui Alves
  • 21 de mar.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 7 de abr.


Reflexões sobre o Dia Internacional da Mulher


A pergunta fundamental, neste Dia Internacional da Mulher em 2026, é: após derrubar as barreiras físicas que separavam meninas e meninos, a escola e a educação conseguem desenvolver em mulheres e homens as características desejáveis para enfrentar os enormes desafios que sempre teremos ao longo da história?


Este ano, não comprei rosas para a minha esposa no dia 8 de março. Com o tempo, reservei esse ritual para o aniversário do nosso encontro, há 31 anos.


Yuval Harari, um historiador israelita, questiona por que as mulheres sempre foram colocadas à sombra de quase todas as civilizações. Em confrontos militares, pode-se argumentar sobre a força física. Mas, no campo político, não há razão para que as mulheres não sejam proeminentes, já que a força física não é o que está em jogo na gestão política das sociedades.


A Imagem da Mulher na Sociedade


A força física, no entanto, ainda tem seu peso. Na nossa imaginação, a história ocidental, a literatura e o cinema têm disseminado imagens femininas frágeis, delicadas e quase sempre erotizadas. No filme "Os Dez Mandamentos", de Cecil B. DeMille, o clima agradável do Egito serviu como pretexto para vestimentas etéreas que cobriam os corpos com uma brancura diáfana. Assim, muitas gerações foram marcadas pela equivalência entre mulher e fraqueza.


Felizmente, os ginásios, a partir da metade do século XX, estão cheios de mulheres que, sem perder um pingo de feminilidade, dariam conta de muitos homens irritados. E isso, apesar das estatísticas que alegam uma suposta superioridade muscular masculina.


A Violência Contra a Mulher


Infelizmente, as estatísticas mostram um número alarmante de mulheres assassinadas, vítimas de violência doméstica. Em 2024, foram 12.681 vítimas apoiadas pela APAV em Portugal. Quanto aos homicídios, cerca de 30 mortes por ano são registradas.


Parece que a direita gosta de usar esses dados para insistir no status frágil das mulheres e na necessidade de proteção constante. Essa estratégia misógina, evidente em alguns países europeus, é perversa. Ela serve como uma ponte para negar qualquer chance de paridade de gênero. Associada à ideia de que a mulher deve ser vista como criadora de família, é a fórmula perfeita para manter a mulher em um status de minoria cívica e social.


O Exemplo da Islândia


Um olhar breve sobre a Islândia revela a falta de justificativa para essa tese. Nesse país do norte, as mulheres pescam desde pelo menos o século XVII. Entre 1910 e 1960, a luta das mulheres na indústria pesqueira aumentou. O movimento Mulheres do Arenque lutou por igualdade salarial e melhores condições de trabalho.


Em 2023, uma greve convocada por mulheres na Islândia foi apoiada pela Primeira-Ministra. A luta pela paridade continua, mesmo na Islândia, que possui os melhores indicadores de igualdade de gênero. O sufrágio feminino foi alcançado em 1915, e a presidência da república foi entregue a uma mulher, Vigdís Finnbogadóttir, em 1975, a primeira mulher eleita em qualquer país democrático.


A Questão da Liderança Feminina


A pergunta mais interessante, levantada em 2026 pela Sofia Ramalho, Presidente dos Psicólogos desde 2025, é: a forma de ser feminina pode impactar líderes políticos e o mundo? Ter uma mulher à frente das Nações Unidas seria vantajoso, como já sugeriu António Guterres?


Uma análise cuidadosa do perfil de líderes femininas em processos de paz aponta para uma maior capacidade de diálogo e negociação. Além disso, há uma preocupação com a harmonização de interesses e a articulação dos problemas que a humanidade enfrenta. Criar consenso, através de uma escuta ativa, parece ser um dos traços femininos nesses contextos. Concordo com Sofia Ramalho: não se trata apenas de representação, mas do potencial que a visão feminina pode trazer para superar desafios. A masculinidade viril e belicosa está mostrando que seu modo de agir é uma receita para a desgraça, como se vê no Oriente Médio.


A Educação e o Potencial Humano


Mas atenção: se pegarmos 50 homens e 50 mulheres de 75 anos em um contexto específico, como o de Portugal, encontramos um perfil masculino que é profundamente diferente do perfil feminino. Mas e se analisarmos 50 homens e 50 mulheres de 25 anos, nascidas no mesmo lugar, com 50 anos de diferença? Certamente, o "masculino" e o "feminino" serão diferentes do grupo mais velho. Isso mostra que o masculino e o feminino não são apenas questões estritamente genéticas.


Na verdade, se existe o genital e o genético, também existe o endócrino, tudo dentro do pacote biológico. Mas, acima de tudo, existe o social e, no que nos interessa para o futuro, também existe o educacional.


Até que ponto uma educação que visa desenvolver em meninos e meninas o verdadeiro potencial humano de empatia, independentemente do gênero, pode salvar vidas nas próximas gerações? Uma educação adequada e consciente pode acabar com a violência doméstica? Pode uma educação igualitária reduzir o número assustador de vítimas de conflitos militares?


O Futuro da Liderança Feminina


O que seria uma mulher na presidência dos EUA? Ou à frente da China? Ou como líder do Irão? Esses países parecem não estar receptivos à liderança feminina. Na Europa, temos Giorgia Meloni como primeira-ministra na Itália, Roberta Metsola à frente do Parlamento Europeu e Ursula Von der Leyen na Comissão Europeia. Já tivemos Margaret Thatcher e Angela Merkel. Mas surge uma questão interessante: nessas mulheres, reconhecemos "a capacidade de diálogo e negociação e a preocupação com a harmonização de interesses e a articulação dos problemas que a humanidade enfrenta"?


Conclusão


Aqueles que nasceram em Portugal até os anos 70 frequentaram escolas com uma clara divisão de gênero: turmas femininas de um lado e masculinas do outro. Na minha escola do 3º ciclo, inaugurada em 1972, havia uma parede amarela que separava meninos e meninas. Em 75, as turmas tornaram-se mistas, mas a parede amarela persistiu. Quem visita minha antiga escola hoje verá que a parede não existe mais.


A pergunta fundamental, neste Dia Internacional da Mulher em 2026, é: após derrubar as barreiras físicas que separavam meninas e meninos, a escola e a educação conseguem desenvolver em mulheres e homens as características desejáveis para enfrentar os enormes desafios que sempre teremos ao longo da história? Em outras palavras, a educação pode formar líderes mais empáticos e justos?


Sim, porque a vida é um desafio de constante readjustamento.

 
 
 
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© 2026 por Eduardo Rui Alves.

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